30 de maio de 2012

Quarta-feira, dia nacional do sofá - XXV, Lagarteando


Quer coisa melhor que ficar aqui, lagarteando neste solzito? Não estou mais "indoor", estou aqui na rua, na beirinha do Canal do Pepino, correndo o perigo de morrer afogado nele, de causar uma enchente, sei lá, tanta coisa...  Ainda dou uma boa canja, não sei o que há com essa gente, é só aparecer um puidinho no pano (ou uma promoção das Casas Bahia...) e já nos botam na rua.
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27 de maio de 2012

"Pretinha", a Chuva e Eu...



"Pretinha", a Chuva e Eu...
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J.J. Oliveira Gonçalves

Pois, enquanto vou me escondendo um pouco de mim, em mim mesmo - numa espécie de fuga da realidade - para não ficar o olhar parado "a ver navios", passeio um pouco por meus arquivos, no PC: textos, imagens, música... E, olhando meu álbum de fotografias, encontrei três fotos da "Pretinha" com o mesmo tema: olhando, comigo, a Chuva pela janela, pingos e respingos pela vidraça...
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"Pretinha", então, era ainda uma fofa e curiosa gatinha-menina. Assim, as três fotos me levaram a pouco mais de três anos, pois "Pretinha", agora, está com três aninhos e meio. Por essa época, meus bichinhos - todos - estavam fortes e saudáveis. E eu mesmo me aventurava a algumas viagens (curtas) e prazerosas. Viagens de cunho pessoal e cultural. Belo tempo, ainda... Todavia, por isso mesmo, corto aqui essas saudosas reminiscências. Para o meu bem. Para o bem do meu estado de Alma. Para evitar torturar (ainda mais!) o Espírito. Enfim, para não martirizar meu Ocaso... cinzento e melancólico...
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Mas, como eu dizia - ou escrevia - eram "Pretinha", a Chuva e eu, naquela tarde clara de Outono. Ela olhava com olhos indagadores a rua... Com olhos arregalados - redondos olhos de ouro - aos pingos da chuva na janela... E, com orelhas atentas, ouvia o tilintar das gotas cristalinas que, suicidas involuntárias, estatelavam-se contra a fria indiferença da vidraça... E eu - que há muito descobri que sou filho da Chuva (Oxum) e irmão do Vento (Oxóssi) - falava para "Pretinha" sobre a irmã Chuva... Sobre o fenômeno de Mãe-Natureza. Sobre a melodia compassada que ela nos oferecia... Sobre a Poesia que se fazia concreta naquele momento mágico... Enfim, sobre a Beleza do quadro que Deus pintava com pincéis de água, de Energia e de Mistério...
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Me faz um bem danado "falar" com meus bichinhos-de-estimação. Sei que a eles também. Todos me "respondem" com a mudez significativa do olhar - ou com gestos expressivos que dizem do seu corpo e de sua Alma... Tenho algumas gatas que "falam" constantemente com sons interessantes - sustenidos e bemóis, como costumo dizer - que me encantam e me consolam as Penas de poeta e as Dores de homem-comum! "Pretinha" é uma delas. "Branquinha" também gostava muito de "conversar" comigo... Às vezes, era como se estivesse (e não estaria?) me afirmando alguma coisa... Outras, num tom dengosamente interrogativo... (Saudade sem fim carrego de minha insubstituível e querida amiga "Kika"!!)
Nesta foto e, em mais duas, "Pretinha" ouvia com atenção minha aulinha mui singela e natural sobre a Chuva. Lembro que - menininha - recém começava a conhecer, a experimentar e a se inserir neste mundo feito de Belezas e de Sofreres... 
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Fui professor durante mais de 30 anos. Aliás, os melhores anos de minha vida dediquei ao magistério. Depois que me aposentei, (graças a Deus e a mim), dôo o que sobrou de minhas andanças pelas salas de aula aos meus animais-de-estimação. Sou seu professor, às vezes. Procuro ajudá-los o quanto posso. Outras, eles são meus mestres e sei que muito me ajudam. São filósofos silenciosos do cotidiano que me intuem sobre as mazelas da Vida que ainda não compreendo - e não compreendendo não as aceito. Eles, ah, eles são criaturinhas extremamente humildes, frágeis e demasiadamente resignadas... Solidários. Perdoam com naturalidade e de coração. Me esforço para ensiná-los. Porém, me esforço muito mais para aprender com eles. E, enquanto estiver por aqui, quero desfrutar de suas Lições de Paz e Bem, de Sabedoria e Amor. Sei qual o Laço Sagrado que nos prende, nos une, nos faz Amorosos: é a Consciência Cósmica de que somos - todos! - simples Seres da Natureza! Temos um Único Pai, ou Criador. Portanto, somos, igualmente, filhos Bem-Amados da Mesma Fonte!
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"Pretinha", a Chuva e eu: um flagrante íntimo, interativo, prazerosamente familiar... E um bocadinho desse flagrante, feito de Natureza e de Poesia, é que lhes ofereço, com estas palavras ditadas pelo coração. Pelo coração de um poeta que - "Night and Day" - perambula por suas vielas interiores e trevosas, sempre em busca de amplas e luminosas avenidas... E, nessas filosóficas e utópicas andanças, não dispensa a cúmplice e curadora companhia de seus bichinhos-de-estimação... Eis que eles sabem como pastorear-me a Alma e apascentar-me o Espírito. Este Espírito atribulado e tão desconfiado quanto um abandonado cão de rua...
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JJ Oliveira Gonçalves
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Porto Alegre, 23 de maio/2012. 11h15min
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26 de maio de 2012

Imagens do cotidiano - LXXXI, You'll never know


Pois não é que o vinil voltou mesmo? Nosso colega José Luiz Salvadoretti, que mora em Porto Alegre, flagrou da janela de seu apartamento este "reciclador de descartados" curtindo um sonzinho manero para desanuviar a cuca numa bela improvisação montada em seu veículo de trabalho. Segundo conta o JLS, "parecia ser algo orquestrado, dos anos 60', tipo Ray Conniff". Tentei adivinhar... imagino que poderia ser algo como My Prayer mas, You'll never know...
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24 de maio de 2012

Tão longe, tão perto


Nosso leitor e amigo, Henrique Pires, Assessor Institucional da RBS em Brasília, nos manda este recorte da ZH de hoje, da página do Almanaque Gaúcho, como homenagem a seu avô na passagem do Dia do Telegrafista. Esse dia nos faz lembrar de outros "telegrafistas" ligados afetivamente ao Blog, como o pai do Sérgio Fontana, o pai do Paulo Antonio Oliveira e o colega Gerson Mendes Correa.  
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Diz o Henrique Pires:
"O Almanaque Gaúcho de hoje (dia do telegrafista) publica uma foto do vô Sérgio na Estação de Pedras Altas, quando ele iniciou sua trajetória na Viação Férrea do Rio Grande do Sul."
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O Passo do Onze


Foto celular  JL Salvadoretti

"Estive em Bagé neste fim de semana * , mas como era pra ficar só dois dias e a previsão era de frio e chuva, não levei a câmera. No fim deu só frio, e fui dar uma pernada pela antiga vizinhança. Acabei descendo até o "Passo do Onze" e me virei com o celular pra fazer umas fotos dos pilares de pedra da ponte que jamais foi construída (muito lambari pesquei de cima deles...) .  Talvez o Cid conheça a história do nome e da ponte, e saiba porque nunca foi terminada. Os pilares devem ser dos anos 40 ou no máximo do começo dos 50, já eram velhos quando nos mudamos para a Barão do Amazonas, lá por 1958.
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Hoje, achei meio impressionante o "degradê social" nos 300 metros que separam o Passo da Avenida Sete, e a quase selva à volta do arroio: havia garças e até um bando de capivaras gordas na margem oposta, mas sem zoom não pude fotografar. Na próxima ida lá levo sem falta a câmera."
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Enviado pelo colega
JL Salvadoretti 
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(*) 12-13/05/2012
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23 de maio de 2012

Quarta-feira Dia Nacional do Sofá - XXIV, Em cima do muro


Não, não é uma posição política como a daquele partido que sempre fica em cima do muro. É a minha atual condição. Daqui para a rua será apenas um pulinho... Difícil vai ser voltar, sair de cima do muro, ocupar novamente meu lugar na sala. Acho que vou tomar uma posição, para direita ou para esquerda, mas vou ter que pular...
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